21
Mar 09

 

 

Abro meus olhos, salto da cama, é cedo, hoje não tem café no Wasichay Hostal. Tudo pronto, desço, o que não é necessário fica no baú do hostal. Lento, sonolento fico na Mauri esperando o taxi que me levará até o ônibus que por sua vez nos deixará no Pueblo onde encontraremos com os carregadores e seus cavalinhos. Olho Cuzco com aquela preguiçosa luz antes do amanhecer.


Acorda!! O taxi chegou! Mala para dentro! Gabriel socado no banco de trás, cuidado a mão! Somos em sete então ele terá que fazer duas viagens, eu vou na primeira para garantir. Subindo mais uma vez pelas ruazinhas de Cuzco até chegar numa rua com um movimento de pessoas e um ônibus. Um armazém está aberto vendendo pães, na frente um carrinho de sucos e chás.
 
 
Colocamos as malas no ônibus, entro, fico sentado olhando o movimento na rua e esperando a partida do ônibus e os que ficaram para a segunda viagem de taxi. Cuido cada tipo que entra no nosso transporte, é incrível a quantidade de pessoas envolvidas. Só para nosso grupo de 7 pessoas temos um guia, um cozinheiro, um ajudante do cozinheiro, depois ainda se juntarão a nos o cavaleiro e seu ajudante. Todos parecem se conhecer e cumprimentam-se. Chegam os outro da segunda viagem e aproveito para descansar um pouco mais... O ônibus parte, vamos por ruazinhas de Qosqo deixando a cidade, entrando no subúrbio. Nunca entramos numa estrada verdadeiramente dita, passamos de pueblo em pueblo, até que o veículo para. Chegamos, vai realmente começar, sinto meu coração batendo mais rápido e forte. Um certo nervosismo e uma grande expectativa. Saímos do ônibus e vamos tomar café antes de começar a caminhada. Mesma rotina, pão, leite, chá, manteiga, geleia... Barriga cheia, última parada em um banheiro convencional e pé na estrada, sim o primeiro dia de trilha é por uma estrada.
  
 
Começa aqui a desculpa de toda essa viagem, a trilha Inca. Estamos em março de 2008 mas essa viagem começou mesmo em dezembro de 2007 para mim. Foi quando o Dinei me convidou para fazer a trilha Inca, o plano inicial era ir por terra, fazer o Trem da Morte e só ir para Qosqo, Trilha, Águas Calientes e Machupicchu. Analisando melhor vimos que seria muito tempo de deslocamento e que tinham outros lugares bons para se ir.  Incluímos o Salar, La Paz, Sucre, Potosi e tantos outros lugares deslumbrantes. Como o Dinei é o cara mais azarado da face da terra é claro ele ficou em Brasília para fazer um concurso que já tinha sido adiado. O concurso foi mais duas vezes adiado e depois cancelado! Não sei quantas vezes falei para ele esquecer a naba do concurso...
  
 
Arrumamos nossas coisas nos cavalinhos e cheios de energia íamos nos aproximando a cada passo de Águas Calientes e Machupicchu. Sempre subindo vamos andando imaginando os próximos 3 dias, a paisagem era de um verde intenso, com arvores e um gramado ralo. Sempre cercado de montanhas o dia está ensolarado e parece que não teremos chuva. Uso minha bota San Marco, que pensava ser bem forte, boa para tudo, mas não percebi antes de sair de Brasília que o solado estava rachando, será que vai aguentar? Vemos muitos cavalos e algum gado, o principal ganho de vida do Pueblo que saímos é abrigar os carregadores da trilha Inca e o comercio envolvido nela.
  
 
Continua...

 

 

 

 
thru-you.com - Im new
 

 

 

 

publicado por gabrielbosak às 21:39
música: thru-you.com - Im new

01
Mar 09

 Essa madrugada sairemos para a trilha de Salkantay as 04:30 e rumamos para Machu Picchu, Hoje estive em mais alguns templos e igrejas, todos muito bonitos. A mão segue bem e se recuperando, já consegui um saco de supermercado para ela estar protegida durante a trilha. Como ia dizendo hoje fomos a Saqsaywaman, templo do trovão, que fica guardando a cidade de Cuzco lá do alto, quem tiver Google Earth pode ver. Vimos também a Igreja Matriz de Cuzco, que é decorada com telas da escola de Cuzco e que na verdade se divide em 3 igrejas. Fomos no antigo Templo do Sol, que hoje e um mosteiro, dizem que acharam aqui uma ligação subterrânea com o templo do trovão, que fica uns 6 km de distância e uns 400 metros de altura.

 

To podre de cansado, aqui são 20:45 e só penso em dormir. Passo o dia subindo e descendo escadas e na volta me esquivando de vendedores e seguidores perguntando o que se passou com a minha mão. Acho que vou começar a inventar historias diferentes para cada vez que me perguntarem, até porque ninguém acredita que eu sobrevivi a uma queda na estrada da morte. Como dizem a ficção e mais interessante que a realidade... Chega de baboseiras essa criança tem que dormir. 

 

Boa noite a todos e uma boa jornada nessa trilha.

Beijos e abraços.  

publicado por gabrielbosak às 14:01

18
Fev 09

 Depois de uma noite bem dormida no hostal em Cuzco, Wasichay Hostal, Mauri 312, acordo perto das 8 horas, vejo se existe movimento e companhia para tomar café pois marcamos um city tour para hoje. Tomo café, pão, manteiga, geleia e suco. Os pães na Bolívia e no Peru são sempre muito parecidos como um pão árabe só que com um pouco mais de massa, redondinho e quase sem miolo. Volto ao quarto lavo os dentes, me arrumo e desço para pegar a van na Mauri. O Hostal em que estamos não tem nada de mais, mas é bem localizado, fica à duas quadras da Plaza de Armas, assim então sempre que queremos dar uma volta onde tem mais movimento é só entrar no beco, subir a Arequipa e já estamos na Plaza de Armas.

 

A van chega, os operadores de turismo aqui do Peru parecem mafiosos, vestidos com ternos e sempre parecendo que escondem alguma coisa. Pegamos mais alguns turistas, seguimos pela cidade passamos pela Plaza de Armas e vamos em direção nordeste sempre subindo. Vamos chegando próximos de Saqsaywaman, que vamos acabar chamando de Sexywoman, passamos por um campo com Lhamas e Alpacas e a cidade lá embaixo, Cuzco para quem possui pouco tempo mas quer conhecer os Incas é "O" lugar para se ir, pois existem muitas cidades próximas e uma infra-estrutura adequada. Só passamos por Sexywoman e fico querendo descer pois esse é o templo do trovão e do raio e um dos primeiros a ser construído em Cuzco. Mas só passamos pois vamos é para Pisac.

 

No caminho para Pisac o guia nos explica como os templos, cidades e plantações eram feitos sem trabalho escravo. Basicamente os Incas faziam dois impostos que eram  um dia de trabalho por mês para a sua comunidade e outro dia para o estado. Além disso eles possuíam um sistema de trabalho cooperativo quando um produtor precisava de força de trabalho os vizinhos faziam um mutirão, assim como esse produtor ajudava com sua força os vizinhos. Me fiz entender?

 

Chegando em Pisac fico mais uma vez emocionado com toda a grandiosidade que eram estas cidades, com a quantidade de terrazas e pedras velhas empilhadas simetricamente com encaixes perfeitos. Outra coisa que adoro nessas cidades são os caminhos de água e os detalhes para levar a água montanha a baixo. Cada cidade que visitamos possui esses caminhos. Saímos de Pisac e vamos almoçar, escolhemos um restaurante que não é nem o mais barato e nem o mais caro. Sempre aproveitando para comer as coisas locais coloco em meu prato saladas com muito milho de diferentes formas e tamanhos. Quinua, carne de Alpaca e aquele tipo de feijão que não é feijão. Para beber como sempre limonada!!!

 

Terminamos o almoço e vamos para Ollantaytambo, centro do vale sagrado dos Incas, aqui realmente é impressionante porque além de ter as ruínas e tudo mais, Ollantaytambo é uma cidade viva habitada por descendentes incas. As casas e construções tem no mínimo 500 anos de existência. A maior parte do "templo" é construído em forma de lhama e seu filhote. Do lado oposto existem outras construções entre elas uma máscara esculpida, de onde o primeiro raio de sol do solstício de inverno ilumina exatamente o olho da lhama do outro lado. Perto da máscara fica a geladeira, uma construção feita acima da cidade para aproveitar o ar mais frio 300 metros acima e assim conservar por mais tempo os grãos. Dou a volta na cidade e saio dela pelo templo da água, uma pedra com várias bocas d`água saindo. Entramos na van e vamos para Chinchero sempre acompanhando um lindo vale e vendo as montanhas com seus picos nevados. Em Chinchero existe uma feira de artesanato em volta de uma Plaza, onde está também uma igreja construída com as pedras da casa do inca Tupac Yupanqui e dentro possui um afresco de arte cuzquenhã de La Virgem de Montserrat. Ao lado da igreja uma imensa  ruína do que era o resto da casa e da cidade... Saímos ao por do sol de Chinchero e pela estrada vou pensando na vida olhando as plantações de batata em flor. Nunca pensei que batatas em flor focem tão bonitas, flores que vão do branco ao lilás passando pelo rosa, santa batata.

 

Chegando em Cuzco fomos comer, a fome era grande! Comemos no Adriano's, um restaurante mais arrumadinho, eu uma lasanha, nada de mais, mas com a fome que eu estava tudo bem, só não descobri se a lasanha era Sádia ou Perdigão... Depois passamos em outra Pizzaria porque alguns queriam comer um bolo de chocolate. Depois de estar com a barriga cheia fomos para o Hostal tomar um merecido banho e ir descansar pois amanhã é outro dia, outro city tour!

publicado por gabrielbosak às 00:31

08
Fev 09

 Acordei descansadamente perto das 08:00, tomei um banho, me arrumei para o desajuno, pão, manteiga, geleia, suco e café e como sempre fui um dos primeiros a ficar pronto. Tomei o café do hostal e fiquei no sol curtindo a paisagem do Lago Titicaca lá de cima do morro e pensando na minha mão... O que tinha passado, o tombo, a clínica e os desafios da trilha que estavam por vir,  jogando conversa fora e pensando na vida, esperando os outros que iriam até a Catedral de Copacabana... Nessa Catedral é comemorada a Páscoa e acontece uma grande Missa onde estão presentes muitos peregrinos da Bolívia toda.

 

Almoçamos uma pizza Mussarela, porque era barata e rápida. Entramos no ônibus cheio de outros turistas rumo à Puno no Peru essa viagem foi uma das mais sem graça, sem nenhuma atração ou movimento, aproveitamos para descansar mais. As únicas coisas que aconteceram foi a passagem na fronteira, onde se desce do ônibus e se preenche o bilhete da imigração. Eu muito atrapalhado tive que fazer isso duas vezes, errei na primeira vez com meus dois sobrenomes e fui pro final da fila escrever tudo de novo... Atravessamos à pé a tal da fronteira e tivemos um tempo para comprar alguma coisa das loginhas ou até mesmo fazer câmbio e comprar os dinheiros peruanos. Chegando em Puno é necessário trocar de ônibus, dessa vez existe uma rodoviária parecida com as nossas e o ônibus é bem mais novo. Até Puno o nosso ônibus estava com meia lotação e a maioria de turistas, mas aqui isso se inverte. O ônibus lota e entram muitos peruanos rumo à Cuzco, todos índios com seus tecidos coloridos e mercadorias. Durante o trajeto, à cada parada, o bus é invadido por ambulantes dos mais váriados, desde 1,99 até comidas exóticas. O prato principal foi a senhora que entrou com um pacote e abriu e começou a vender pedaços de carne de alpaca cortados na hora e dentro do ônibus. Era muito bizarro ela com seu cutelo cortando os nacos de carne, colocando papas e distribuindo a refeição ônibus à fora...

 

Chegamos em Cuzco já de noite, cansados de ficar no bus, pois a viagem durou cerca de 7 horas, acertamos um taxi, que já assediavam os turistas de fora da rodoviária pela grade, e fui comprar meus remédios, um antibiótico e um anti-inflámatorio. Encontrei só o antibiótico, mas comprei, tive ajuda de uma enfermeira que passava pela farmácia. O curioso é que nessas bandas vende se remédio avulso, queres quantos comprimidos? Fomos para o Hostal, mais 30 minutos de taxi percorrendo ruas estranhas sem uma identidade, onde estamos mesmo? Chegando no Hostal, que parece bem simpático, fora o fato estranho de que é solicitado uma cópia do passaporte, o que nos recusamos a fazer, deixamos as malas, um banho e saímos para conhecer a Plaza d' Armas, essa praça é uma atração a parte, pois era ali que estavam as casas do 12 Incas, reis do império e que foram destruídas para a construção de igrejas e prédios do governo colonial. Comemos no Antonio's, eu uma mileza de pollo, frango à milanesa com papas e salada de tomate e alface. Bebi limonada (lemonada foi ótimo), umas duas jarras.  Para o outro dia já marcamos um city tour... Conheceremos Pisac, Olaitaitambo e o vale sagrado dos Incas.

publicado por gabrielbosak às 12:37

05
Fev 09

 Dormi muito pouco essa noite, fui dormir as 02:30 e acordei as 06:00. Juntei as minhas tralhas, fechei a mochila e desci para o café.

 

Minha nova realidade era continuar a viagem com os dedos quebrados e utilizar muito pouco da mão esquerda. A viagem até Copacabana durou 6 horas, chegamos por volta de 13:00 e fomos achar o Hostal.

 

O hostal La Cúpula fica na encosta do Calvário de Copacabana, com uma vista da praia e do Titicaca. Copacabana é um balneário muito simples, pequeno e como ficamos um dia a mais em La Paz só tínhamos uma tarde e a noite. Decidimos pelo passeio da Ilha do Sol, no Titicaca, compramos uns sanduíches e fomos para o trapiche de onde saem os barcos. A navegada é muito demorada até a ilha, dura uma hora e para quem tem pouco tempo, como nós, acho que não valeu à pena, mas para quem vai dormir na ilha deve ser um passeio interessante. Saímos as 14:00, chegamos as 15:00 e o barco saía as 16:00, tivemos tempo de subir a escadaria e caminhar um pouco mais. Na volta passamos numa ruína Inca, mais 15 minutos para ver tudo e uma hora até descer na praia em Copacabana.

 

Procurei nas 3 farmácias da cidade pelos medicamentos que precisava tomar e não encontrei nenhum dos 2 (antibiótico e anti-inflamatório). Em Cusco deve ter...

 

Passeamos pela cidade, inventamos de subir, ou melhor escalar o Calvário de Copacabana e vamos para o La Cúpula, tomo um banho e combinamos de jantar no restaurante do hostal mesmo. Peço uma Truta do Titicaca, uma limonada e estava muito bom mesmo, o restaurante é muito bom como falaram. Conversamos bastante, várias risadas, lembramos do dia anterior, minha queda, discutimos se consigo fazer a trilha Inca e vamos dormir.

 

Amanhã temos um ônibus somente às 13:00 para Cusco, primeiro transporte que não saímos de manhã cedo...

 

 

 

 

 

publicado por gabrielbosak às 22:53

03
Fev 09

 Esse dia foi sem café do Adventure Brew Hostel, o ponto de encontro era numa cafeteria junto ao Prado. Pedi meu café, suco e torrada. Os guias chegam e chamam os nomes de seus protegidos, a cafeteria está lotada de pessoas que vão fazer o Caminho. 

Começa a aventura, vamos para van e seguimos em direção a La Cumbre, ponto de partida com as Bikes. Até chegar a La Cumbre vamos subindo e vendo a paisagem, que sempre é muito bonita. Passamos por uma represa entre duas montanhas e seguimos subindo... Pronto La Cumbre, 4700 metros acima do mar, aqui vai começar a nossa descida. Os guias começam a distribuir roupas, coletes, luvas, óculos, capacetes e as bicicletas. Todos equipados são passadas as instruções. Tudo pronto e lá vamos nós.

 

O percurso começa a 4700 metros e termina a 1100 metros em Coroico, são 65 km, com 16 paradas, dois trechos em subida e o resto nem se pedala. O início é por uma estrada asfaltada e depois por uma estrada de cascalho. Temos dois guias o Damon, que é neozelandês e o Gilberto, boliviano. Últimas instruções e um ritual para Pachamama. 

 

A descida começa, vou mais atrás, pois muita gente se joga ladeira a baixo e mesmo tentando ir mais devagar se desce muito rápido. Estava muito frio, nublado, mesmo de luvas, 2 calças 2 casacos e um colete, tenho frio. As paradas vão passando e em cada uma delas tiramos fotos e admiramos à vista. Durante a descida começa uma garoa, já depois do posto policial, como Coroico está à 1100 metros é ou era uma região produtora de coca e muito provavelmente de cocaína (a planta da coca só é plantada até 1500-1600 metros) existe uma parada como uma alfândega.

 

Depois de 24 km no asfalto é hora do cascalho, agora muito mais técnico e realmente perigoso. Nesse trecho passam poucos veículos pois foi construída outra estrada ligando Coroico e ficando essa estrada praticamente para o turismo. Segue chovendo, pois estamos atravessando as nuvens. Foi entre as paradas 12 e 13 que Eu caí, numa reta por causa de uma pedra que fez a minha roda dianteira derrapar, e daí pra quem sabe o que é isso nao tem volta, é chão mesmo. No chão notei que tinha-me machucado mas não sabia direito o que. Logo ví minha mão esquerda... Meu dedo anular estava "meio torto" e tinha alguns arranhões pelo corpo... Tirei a luva e confirmei que o meu dedo estava torto, achei que tinha destroncado o dedo e tentei coloca-lo no lugar. Não sentia tanta dor assim, mas o dedo não foi para o lugar. Chegou o pessoal e começaram a me ajudar, limpar os arranhões e providenciar meu deslocamento para La Paz. Tentei mais uma vez colocar o dedo no lugar, sem secesso... Fui para La Paz, o que durou 90 minutos, cheguei na clínica e fui fazer Raio X pra ver o que era. Resultado, dedo anular quebrado na falange proximal com uma leve rotação, fratura intra articular no anular e no mínimo. Tratamento, cirurgia para arrumar a bagunça, isto é colocar 3 pinos em 2 dedos. 

 

Bom gente eu estou resumindo tudo, até pq tem muitos detalhes... só sei que fiquei com o dedo torto das 13:00 até as 19:30, hora que fui anestesiado. Acordei durante a cirurgia e vi o trabalho todo, cheguei até a pedir mais anestésico porque comecei a sentir o dedinho. Fui para o quarto e tomei um banho. Estava me preparando para sair, pedi a dolorosa conta. Já havia contatado o seguro e parecia estar tudo bem, até chegar a conta. 

 

Depois de muito tempo de espera e uma reclamação, veio um papel escrito a caneta, descriminado coisas como em um restaurante, valor 8080 bolivianos, 1000 USD, falei que não podia ser esse valor e perguntei se poderia pagar no cartão, a responsável disse que só pela manhã e eu disse que não pagaria aquele valor. Ela saiu, mais tempo, liguei para o seguro dizendo o que tinha se passado e caiu a ligação. Depois disso não conseguia ligar mais. Veio um novo papel depois de mais um tempo, valor 6600 bollivianos, disse que não era esse valor. Ela me perguntou o valor e eu disse que o Dr. Carrasco havia falado em 350 USD, 2800 bolivianos por toda a oficina. Ela saiu... Mais tempo, voltou e disse que eu podia sair, fiquei até com medo e perguntei porquê, ela falou que o seguro havia entrado em conato e estava tudo certo. 

 

Desci e fui pegar um táxi, fiquei cozinhando eles, porque sabia que tinha que sair dali com os Raio X e uma receita para os remédios, quando o Taxi chegou perguntei pelos Raio X  e tudo mais... Depois de mais um tempo eles vieram... Saí de lá e fui para o Hostal, isto eram 01:00 a cirurgia tinha termiado às 21:40 e eu queria ter saído às 23:15 mais ou menos, porque já tínhamos viagem marcada para Copacabana de manhã cedo. Estava puto com tudo e ainda tinha que chegar no Hostel e contar tudo pra todo mundo, fui dormir às 02:30. Sonhei a noite inteira com o Camiño de la Muerte e minha descida na bike, na verdade continuo sonhando todas as noites desde então... Fôra os dedos quebrados a estrada é sem dúvida a mais linda que já ví...

 

Para quem quiser ver aqui vai uma reportagem sobre a descida de Bike:

 

http://abcnews.go.com/Travel/Story?id=4120791&page=1

 

 

Lykke Li - Breaking It Up

 

publicado por gabrielbosak às 00:24
música: Lykke Li - Breaking It Up

02
Fev 09

 Bom, para quem não sabe ainda eu caí no passeio de bike. Foi quase no final, a estrada tem 60 e poucos kms e 16 paradas. Eu caí entre a 12 e 13, numa reta por causa de uma pedra que fez a minha roda dianteira derrapar, e daí para quem sabe o que é isso não tem volta, é chão mesmo. No chão notei que tinha me machucado mas não sabia direito o que, logo vi minha mão esquerda...

 

Meu dedo anular estava "meio torto" e tinha uns arranhões pelo corpo... Tirei a luva e confirmei que o meu dedo estava torto, achei que tinha destroncado o dedo e tentei coloca-lo no lugar. Não sentia tanta dor assim, mas o dedo não foi para o lugar. Chegou o pessoal e começaram a me ajudar, limpar os arranhões e providenciar meu deslocamento para La Paz. Tentei mais uma vez colocar o dedo no lugar, sem sucesso...

 

Fui para La Paz o que durou 90 minutos, cheguei na clínica e fui fazer Raio X pra ver o que era. Resultado, dedo anular quebrado na falange proximal com uma leve rotação, fratura intra-articular no anular e no mínimo. Tratamento, cirurgia para arrumar a bagunça, isto é colocar 3 pinos em 2 dedos. Bom gente eu estou resumindo tudo, até porque têm muitos detalhes... Só sei que fiquei com o dedo torto das 13:00 até as 19:30, hora que fui anestesiado.

 

Acordei durante a cirurgia e vi o trabalho todo, cheguei até a pedir mais anestésico porque comecei a sentir o dedinho. Fui para o quarto e tomei um banho. Estava me preparando para sair, pedi a dolorosa cota. Já havia contatado o seguro e parecia estar tudo bem, até chegar a conta. Depois de muito temo de espera veio um papel escrito a caneta, descriminado coisas que nem um restaurante, valor 8,080 bolivianos, 1,000 USD, falei que não podia ser esse valor e perguntei se poderia pagar no cartão, ela disse que só pela manhã, disse que não pagaria aquele valor. Ela saiu, mais tempo, liguei para o seguro dizendo o que tinha se passado e caiu a ligação. Depois disso não conseguia ligar mais. Veio um novo papel depois de mais um tempo, valor 6,600 bol., disse que não era esse valor. Ela me perguntou o valor e eu disse que o Dr. Carrasco havia falado em 350 USD, 2800 bol. por toda a oficina. Ela saiu... Mais tempo, voltou e disse que eu podia sair, fiquei até com medo e perguntei o porquê, ela falou que o seguro havia entrado em conato e estava tudo certo. Desci  e fui pegar um táxi, fiquei cozinhando eles, porque sabia que tinha que sair dali com os RX e uma receita para os remédios, quando o Táxi chegou perguntei pelos RX  e tudo mais... Depois de mais um tempo eles vieram... Saí de lá e fui para o Hostal, isto eram 01:00 a cirurgia tinha terminado as 21:40 e eu queria ter saído as 23:15 mais ou menos. Estava puto com tudo e ainda tinha que chegar no Hostel e contar tudo para todo mundo, fui dormir as 02:30. Sonhei a noite inteira com a Carreteira de la Muerte e minha descida na bike, na verdade continuo sonhando todas as noites desde então...

 

Fora os dedos quebrados a estrada é sem duvida a mais linda que já ví...

 

Estou bem, agora em Cuzco, entre os Incas, já passei por Copacabana e um ônibus de 12 horas entre Copacabana e Cuzco.

 

Fico aqui até quinta, depois Machu Picho e sua trilha.

 

Beijos a todos e muitas saudades.

 

 

 

 

 

The Rosebuds - Get Up Get Out

 

publicado por gabrielbosak às 22:26
música: The Rosebuds - Get Up Get Out

01
Fev 09

 Tudo de novo, café com panquecas...


Tihuanaco ou melhor  Tiwanaku nos espera, entramos na van e 72 km nos separam dessa cidade. Tiwanaco começou a ser construída por volta de 3500 anos atrás, há que diga que foi bem antes, tendo seu apogeu entre 500 e 700 d.c. Provavelmente os Incas eram uma civilização descendente de Tiwanaku ou aprenderam muitas coisas com eles.

 

Entramos no primeiro museu que está ainda em construção e só tem uma sala, onde está um monolito de 5 metros todo trabalhado. No pátio interno desse museu existe também uma canoa de totora ou palha. Passamos para o museu ao lado onde está uma exposição sobre a história de Tiwanaku, com cerâmicas, múmias, metais e muito mais.

 

 No sítio arqueológico de Tiwanaku, ainda estão escavando e encontram muitas coisas pela região, é composto por basicamente 3 templos, uma pirâmide (Akapana), um templo pequeno escavado e um grande elevado (Kalisasaya). Cada um deles dedicado a um nível espiritual ou da terra, aéreo, subterrâneo e terreno. Os tempos estão alindados aos pontos cardiais, assim como existem marcações para os Solstícios de verão e inverno. Acredita se que a pirâmide foi um observatório astronômico com uma piscina no topo onde o céu era refletido e podia se fazer as observações. O templo Kalisasaya também marca os equinócios pois o sol nesses dias entra por sua porta, esse templo possui cornetas nas paredes onde o som é amplificado, pode se falar ou ouvir. No templo semi-subterrâneo existem três monolitos anteriores à construção da cidade e suas paredes são recheadas de máscaras. É no templo Kalisasaya que se encontra a Porta do Sol, que pesa só 13 toneladas, mas seu lugar original é desconhecido e nem suas inscrições são conhecidas.

Do ouro lado ainda existem outras construções com lajes ainda maiores que as de Tiwanaku é Pumapunku. Algumas pedras chegam a ter 120 toneladas nesse sítio, todas elas têm marcas de encaixe do tipo fenda. Todo o trabalho com as pedras é impressionante, pois elas são perfeitamente encaixadas e são muito mais antigas que as em Machupicchu. Gostei muito do sistema de aquedutos, acho sempre muito bonito o movimento da água neles e a engenhosidade por trás desse sistema.

Para quem quiser saber mais sobre Tiwanaku: 

 

http://www.archaeology.org/interactive/tiwanaku/index.html

 

Voltamos para o hostal, um banho e rua de novo. Comércio de La Paz, compra daqui, compra dali, dessa vez compraram até sacolas para carregar tudo. Viajando com sacoleiros agora...

 

Tentamos dar mais uma chance ao japonês, mas ele estava fechado, a cidade estava às moscas e fomos bater a carteirinha no chinês mesmo, dessa vez foi um banquete.

 

Hostal, cerveja, cama... Vamos dormir cheios de expectativas, pois amanhã é o dia na estrada mais perigosa do mundo, La Paz-Coroico.

 

 

 

publicado por gabrielbosak às 20:12

 As 07:30 já estou tomando meu café com as panquecas, manteiga, geleia ou doce de leite. Viajar em grupo é um processo, cada um tem seus horários e hábitos. Como  gosto de ter tempo para fazer tudo o que preciso sempre era um dos primeiros a levantar, fazer as minhas coisas e ficar pronto.

 

A van chega as 08:00 com um guia e um motorista. Todos prontos começamos a nossa subida, aqui em La Paz é sempre assim ou se sobe ou se desce, como o passeio deve demorar precisamos parar em um mercadinho para comprar algum lanche para o almoço e fazemos isso em El Alto, cidade em cima de La Paz no anteplano. Seguimos pela estrada à fora, primeira parada na Pedra do Sapo, um lugar onde duas pedras formam a boca de um sapo e os bolivianos fazem oferendas à Pacha Mama. Pacha Mama é a mãe terra está sempre associada ao sapo ou à lhama e sempre perto dos Apus (montanhas, que também são divindades) encontramos lugares de oferendas.

 

De volta a estrada admiramos a vista, lhamas passam à frente da van com seu pastor e avistamos lagunas de cores verdes e vermelhas. O guia explica que essas lagunas estão contaminadas com os minérios de uma mina que vemos mais adiante. Finalmente avistamos as construções da Universidade e um pouco mais acima o Clube Andino Boliviano, estamos chegando à Chalcantaya. O Clube Andino Boliviano já foi a estação de esqui mais alta do mundo, 5300 metros e hoje desativada graças ao derretimento da neve. Começo minha subida ao topo do Chalcantaya que está a 5427 metros, saímos da estação na direção do cume. Essa caminhada é feita em duas partes, pois se sobe até uma parte alta e depois se desce e sobe de novo, chegando ao pico da montanha. A essa altitude tudo é muito difícil, mas me sinto muito bem e vou na frente de todos na primeira parte. Paramos, tiramos fotos, admiramos a vista e seguimos. Nessa parte até que dá um medo pois estamos caminhando no vértice da montanha, primeiro descendo e depois subindo. Tem gente que faz essa parte de quatro, mas eu nem vi, estava alucinado para chegar logo ao topo.

 

Pronto cheguei, nem dá para acreditar que cheguei antes mesmo do guia. Aproveito o tempo só para olhar ao redor e ver tudo de cima, comer um pouco de neve e ficar de boca aberta com a vista. Aos poucos todos chegam ao cume, todos brincam e se cumprimentam. Lá de cima vimos toda a cidade, várias montanhas e também o Lago Titicaca. Penso mais uma vez, "que viagem mais ou menos", é outro daqueles momentos em que fico ali pensando no mundo e em mim...

 

O chato é ter que voltar, dá vontade de ir para Wayna Potosí, ou o Ilimani, outras montanhas com alturas perto de 6000 metros, mas de escalada bem mais difíceis. Voltamos todos felizes e que tinha disposição foi caminhar pela cidade. Fui na Praça Murillo, estava tendo uma missa por causa da Páscoa com várias autoridades bolivianas, comemos empanadas e fomos no Museu da Coca. O museu é bem pequeno mas organizado e cheio de informações sobre essa planta sagrada para os povos andinos. Voltamos para o hostal e marcamos os últimos dois programas de La Paz, Tihuanaco e fechando com um passeio no Camino de la Muerte (La Paz-Coroico). Tentamos jantar num restaurante japonês, mas a gerente disse que já estava fechado e fomos num chinês muito bom. Voltamos para o hostal, cerveja e fui dormir.

 

 

publicado por gabrielbosak às 20:08

29
Jan 09

 Bom ontem foi o dia de fazer Chalcantaya e conhecer o Clube Andino Boliviano, que foi a estação mais alta de esqui do mundo a 5200 metros e hoje está fechada pois a neve tem diminuído com os anos, aquecimento global.

 

O pico desta montanha está a 5427 metros e subi até lá, foi um momento muito especial pois eu estava muito disposto, com muita energia, cheguei ao topo só e ainda com uma vantagem de alguns minutos sobre os outros do grupo. Até o  nosso guia, Ivan, ficou para trás e me falou que estava muito bem condicionado. Cheguei no topo, tive tempo de comer neve sozinho e pegar umas pedrinhas lá de cima.

 

É mesmo incrível o esforço que tem que se fazer a esta altura, tudo é muito sofrido, mas muito recompensante. Lá de cima é possível ver toda La Paz e El Alto,  o Ilimani, Montanha com 6088 metros, o Waina Potosi, com 5800 metros, o Lago Titicaca, a 3800 metros, e mais duas montanhas que não me recordo o nome, mas uma delas é a mais alta da Bolívia com 6680 metros. Tivemos bastante tempo de tirar fotos e tudo mais.

 

Depois disso descemos e alguns ficaram descansando no Hostal e eu, Márcio e Adriano fomos para o centro conhecer mais de La Paz. Passeamos pela Praça Morillo, onde está o Palácio de Governo e estava acontecendo uma missa de Páscoa, o Evo devia estar lá mas não conseguimos ver. Comemos umas Empanadas e fomos ao Museu da Coca, onde tem tudo sobre a planta sagrada dos povos andinos, tomamos um café com extrato de Coca e voltamos ao Hostal.

 

Chegando aqui marcamos o passeio de hoje que é Tihuanaco, onde esta a Porta do Sol. Também acertamos um passeio que ficará na historia para amanhã que é a descida de Bike na estrada mais perigosa do mundo, aquela onde parte da estrada tem janelas na montanha e de paisagens incríveis. Não se preocupem pois essa estrada foi desativada e hoje ela é somente uma rota turística. Daqui a pouco vou tomar o meu café com extrato de Coca com panquecas e doce de leite.

 

Ontem saímos para jantar num japonês mas chegamos lá e estava fechado, eram 22:00, quer dizer não queriam mais comensais. Acabamos num Chinês que estava muito bom, comi peixe agridoce e provei da carne com cebola. Os rolinhos eram EXCELENTES!!!! Toda comida estava muito boa.

 

Agora tenho que me arrumar, pois se não perco o nosso transporte para Tihuanaco.

Beijos.

 

 

 

 

 Calvin Harris- Acceptable in the 80's

publicado por gabrielbosak às 19:24
música: Calvin Harris- Acceptable in the 80's

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