03
Fev 09

 Esse dia foi sem café do Adventure Brew Hostel, o ponto de encontro era numa cafeteria junto ao Prado. Pedi meu café, suco e torrada. Os guias chegam e chamam os nomes de seus protegidos, a cafeteria está lotada de pessoas que vão fazer o Caminho. 

Começa a aventura, vamos para van e seguimos em direção a La Cumbre, ponto de partida com as Bikes. Até chegar a La Cumbre vamos subindo e vendo a paisagem, que sempre é muito bonita. Passamos por uma represa entre duas montanhas e seguimos subindo... Pronto La Cumbre, 4700 metros acima do mar, aqui vai começar a nossa descida. Os guias começam a distribuir roupas, coletes, luvas, óculos, capacetes e as bicicletas. Todos equipados são passadas as instruções. Tudo pronto e lá vamos nós.

 

O percurso começa a 4700 metros e termina a 1100 metros em Coroico, são 65 km, com 16 paradas, dois trechos em subida e o resto nem se pedala. O início é por uma estrada asfaltada e depois por uma estrada de cascalho. Temos dois guias o Damon, que é neozelandês e o Gilberto, boliviano. Últimas instruções e um ritual para Pachamama. 

 

A descida começa, vou mais atrás, pois muita gente se joga ladeira a baixo e mesmo tentando ir mais devagar se desce muito rápido. Estava muito frio, nublado, mesmo de luvas, 2 calças 2 casacos e um colete, tenho frio. As paradas vão passando e em cada uma delas tiramos fotos e admiramos à vista. Durante a descida começa uma garoa, já depois do posto policial, como Coroico está à 1100 metros é ou era uma região produtora de coca e muito provavelmente de cocaína (a planta da coca só é plantada até 1500-1600 metros) existe uma parada como uma alfândega.

 

Depois de 24 km no asfalto é hora do cascalho, agora muito mais técnico e realmente perigoso. Nesse trecho passam poucos veículos pois foi construída outra estrada ligando Coroico e ficando essa estrada praticamente para o turismo. Segue chovendo, pois estamos atravessando as nuvens. Foi entre as paradas 12 e 13 que Eu caí, numa reta por causa de uma pedra que fez a minha roda dianteira derrapar, e daí pra quem sabe o que é isso nao tem volta, é chão mesmo. No chão notei que tinha-me machucado mas não sabia direito o que. Logo ví minha mão esquerda... Meu dedo anular estava "meio torto" e tinha alguns arranhões pelo corpo... Tirei a luva e confirmei que o meu dedo estava torto, achei que tinha destroncado o dedo e tentei coloca-lo no lugar. Não sentia tanta dor assim, mas o dedo não foi para o lugar. Chegou o pessoal e começaram a me ajudar, limpar os arranhões e providenciar meu deslocamento para La Paz. Tentei mais uma vez colocar o dedo no lugar, sem secesso... Fui para La Paz, o que durou 90 minutos, cheguei na clínica e fui fazer Raio X pra ver o que era. Resultado, dedo anular quebrado na falange proximal com uma leve rotação, fratura intra articular no anular e no mínimo. Tratamento, cirurgia para arrumar a bagunça, isto é colocar 3 pinos em 2 dedos. 

 

Bom gente eu estou resumindo tudo, até pq tem muitos detalhes... só sei que fiquei com o dedo torto das 13:00 até as 19:30, hora que fui anestesiado. Acordei durante a cirurgia e vi o trabalho todo, cheguei até a pedir mais anestésico porque comecei a sentir o dedinho. Fui para o quarto e tomei um banho. Estava me preparando para sair, pedi a dolorosa conta. Já havia contatado o seguro e parecia estar tudo bem, até chegar a conta. 

 

Depois de muito tempo de espera e uma reclamação, veio um papel escrito a caneta, descriminado coisas como em um restaurante, valor 8080 bolivianos, 1000 USD, falei que não podia ser esse valor e perguntei se poderia pagar no cartão, a responsável disse que só pela manhã e eu disse que não pagaria aquele valor. Ela saiu, mais tempo, liguei para o seguro dizendo o que tinha se passado e caiu a ligação. Depois disso não conseguia ligar mais. Veio um novo papel depois de mais um tempo, valor 6600 bollivianos, disse que não era esse valor. Ela me perguntou o valor e eu disse que o Dr. Carrasco havia falado em 350 USD, 2800 bolivianos por toda a oficina. Ela saiu... Mais tempo, voltou e disse que eu podia sair, fiquei até com medo e perguntei porquê, ela falou que o seguro havia entrado em conato e estava tudo certo. 

 

Desci e fui pegar um táxi, fiquei cozinhando eles, porque sabia que tinha que sair dali com os Raio X e uma receita para os remédios, quando o Taxi chegou perguntei pelos Raio X  e tudo mais... Depois de mais um tempo eles vieram... Saí de lá e fui para o Hostal, isto eram 01:00 a cirurgia tinha termiado às 21:40 e eu queria ter saído às 23:15 mais ou menos, porque já tínhamos viagem marcada para Copacabana de manhã cedo. Estava puto com tudo e ainda tinha que chegar no Hostel e contar tudo pra todo mundo, fui dormir às 02:30. Sonhei a noite inteira com o Camiño de la Muerte e minha descida na bike, na verdade continuo sonhando todas as noites desde então... Fôra os dedos quebrados a estrada é sem dúvida a mais linda que já ví...

 

Para quem quiser ver aqui vai uma reportagem sobre a descida de Bike:

 

http://abcnews.go.com/Travel/Story?id=4120791&page=1

 

 

Lykke Li - Breaking It Up

 

publicado por gabrielbosak às 00:24
música: Lykke Li - Breaking It Up

comentário:
Teu relato é excelente! Quando crescer e/ou ficar com menos privações, ainda faço um passeio desses! Ab,
Matungo a 4 de Fevereiro de 2009 às 09:58

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