21
Mar 09

 

 

Abro meus olhos, salto da cama, é cedo, hoje não tem café no Wasichay Hostal. Tudo pronto, desço, o que não é necessário fica no baú do hostal. Lento, sonolento fico na Mauri esperando o taxi que me levará até o ônibus que por sua vez nos deixará no Pueblo onde encontraremos com os carregadores e seus cavalinhos. Olho Cuzco com aquela preguiçosa luz antes do amanhecer.


Acorda!! O taxi chegou! Mala para dentro! Gabriel socado no banco de trás, cuidado a mão! Somos em sete então ele terá que fazer duas viagens, eu vou na primeira para garantir. Subindo mais uma vez pelas ruazinhas de Cuzco até chegar numa rua com um movimento de pessoas e um ônibus. Um armazém está aberto vendendo pães, na frente um carrinho de sucos e chás.
 
 
Colocamos as malas no ônibus, entro, fico sentado olhando o movimento na rua e esperando a partida do ônibus e os que ficaram para a segunda viagem de taxi. Cuido cada tipo que entra no nosso transporte, é incrível a quantidade de pessoas envolvidas. Só para nosso grupo de 7 pessoas temos um guia, um cozinheiro, um ajudante do cozinheiro, depois ainda se juntarão a nos o cavaleiro e seu ajudante. Todos parecem se conhecer e cumprimentam-se. Chegam os outro da segunda viagem e aproveito para descansar um pouco mais... O ônibus parte, vamos por ruazinhas de Qosqo deixando a cidade, entrando no subúrbio. Nunca entramos numa estrada verdadeiramente dita, passamos de pueblo em pueblo, até que o veículo para. Chegamos, vai realmente começar, sinto meu coração batendo mais rápido e forte. Um certo nervosismo e uma grande expectativa. Saímos do ônibus e vamos tomar café antes de começar a caminhada. Mesma rotina, pão, leite, chá, manteiga, geleia... Barriga cheia, última parada em um banheiro convencional e pé na estrada, sim o primeiro dia de trilha é por uma estrada.
  
 
Começa aqui a desculpa de toda essa viagem, a trilha Inca. Estamos em março de 2008 mas essa viagem começou mesmo em dezembro de 2007 para mim. Foi quando o Dinei me convidou para fazer a trilha Inca, o plano inicial era ir por terra, fazer o Trem da Morte e só ir para Qosqo, Trilha, Águas Calientes e Machupicchu. Analisando melhor vimos que seria muito tempo de deslocamento e que tinham outros lugares bons para se ir.  Incluímos o Salar, La Paz, Sucre, Potosi e tantos outros lugares deslumbrantes. Como o Dinei é o cara mais azarado da face da terra é claro ele ficou em Brasília para fazer um concurso que já tinha sido adiado. O concurso foi mais duas vezes adiado e depois cancelado! Não sei quantas vezes falei para ele esquecer a naba do concurso...
  
 
Arrumamos nossas coisas nos cavalinhos e cheios de energia íamos nos aproximando a cada passo de Águas Calientes e Machupicchu. Sempre subindo vamos andando imaginando os próximos 3 dias, a paisagem era de um verde intenso, com arvores e um gramado ralo. Sempre cercado de montanhas o dia está ensolarado e parece que não teremos chuva. Uso minha bota San Marco, que pensava ser bem forte, boa para tudo, mas não percebi antes de sair de Brasília que o solado estava rachando, será que vai aguentar? Vemos muitos cavalos e algum gado, o principal ganho de vida do Pueblo que saímos é abrigar os carregadores da trilha Inca e o comercio envolvido nela.
  
 
Continua...

 

 

 

 
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publicado por gabrielbosak às 21:39
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